Introdução
Vivemos numa
sociedade liberal, espantosamente dinâmica,
instável, contraditória, evolutiva.
O planejamento,
portanto, seja como um modo de se pensar ou como
um processo, tanto como método
dialético de transformação ou
como instrumento para práxis pedagógica,
constitui-se, sem dúvida, num verdadeiro desafio.
Desafio maior
quando se opta por um planejamento participativo.
A participação em processo
de planejamento é, em si mesmo, o mais adequado
método educativo. Parte da realidade (problema/possibilidade),
abre espaço para a utopia (projeção
do futuro), gera coerência entre o dizer e
o fazer e pressupõe a transformação
(Gandin 1995 p. 126-127).
Fazer um projeto
para transformar a escola é,
em última instância, fazer um projeto
para transformar pessoas. Só pessoas em processo
de transformação, capazes de relações
novas, baseadas no respeito, justiça e solidariedade,
dispostas a usar a linguagem da possibilidade são
capazes de transformar a realidade.
O esquema de “planejar para” está superado.
Aliás, o planejamento, assim como o entendemos,
tem uma dimensão política: exige o
envolvimento das pessoas. Concebe a cidadania como
um estilo de vida e a solidariedade como pressuposto
fundamental da vida humana.
Nós já estamos neste processo, uma
vez que nosso Projeto Educativo contempla as idéias
reunidas do grupo de professores, funcionários,
pais e alunos, a respeito da nossa realidade sócio
- política - econômica e ideológica
(marco situacional); sobre o ideal de homem e sociedade
que sonhamos (marco doutrinal); e o modelo de educação
e escola que pensamos a partir da nossa realidade
de instituição educacional católica,
cuja mantenedora, é de natureza missionária.
Contempla, também, o diagnóstico realizado
a partir da análise sobre a nossa prática
pedagógica e o modelo de educação
e escola que acreditamos. Desse modo, as nossas necessidades,
foram evidenciadas da leitura e debate dos aspectos
mais relevantes do nosso diagnóstico.
No que diz respeito à programação,
ou seja, a proposta de ação para sanar
as necessidades, a comunidade educativa propôs,
para cada uma delas, uma categoria que a atenda,
podendo ser uma ação comportamental,
uma ação concreta, uma rotina ou uma
regra.
O modelo de
planejamento participativo, inspirado na obra A
prática do planejamento participativo,
GANDIM, Danilo, 8.ª Edição, Ed.
Vozes, como também Planejamento como prática
educativa, GANDIM, Danilo, 1.ª Edição,
Ed. Vozes e a própria assessoria do Prof.
Danilo Gandim, serviu de parâmetro formal ao
nosso trabalho como um todo.
A construção dos textos foi realizada
após a reunião das idéias expostas,
por toda comunidade, através de um questionário
previamente elaborado pelo professor Gandim. Essas
idéias aparecem destacadas em todos os textos,
através de citações em negrito.
O número ao lado de cada citação
refere-se às respostas do questionário
já mencionado, de forma que é um documento
relevante à construção desta
proposta.
A equipe de
coordenação da proposta
pedagógica trabalhou com carinho e dedicação
durante oito meses. Às vezes, o cansaço
e as dificuldades não nos permitiam ver com
clareza o caminho, mas a vontade de responder ao
desafio que nos foi proposto falava mais alto.
Aqui
está o resultado. Sabemos que não é uma
obra acabada. Faz parte de um processo que continua.
Um processo de criação e renovação
: "Devemos sempre nos renovar, do contrário
faremos como as folhas do outono que vão caindo,
uma após a outra, até que caem todas" (Pe.
José Allamano).
Que tenhamos
coragem e entusiasmo para fazer com que esse processo
chegue às nossas salas de
aula, tornando-as laboratórios de vida.
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