O Consolata ensinou-me muito mais...  
Maria Doralice Novaes

Formanda do Curso Ginasial - 1965.

Publicado dia 31 de Março de 2009.
 
Por Maria Doralice Novaes
 

As carteiras eram de madeira. O tampo se abria e era lá que colocávamos a pasta e a lancheira. Os cadernos ficavam em cima da carteira, junto com o lápis, a borracha, a régua e o compasso. Os professores tinham um lápis grosso para corrigir provas. Era um Johann Faber, metade vermelho, metade azul. Faziam um “C” em azul nas respostas certas e um “X” em vermelho nas erradas. Os recursos didáticos não eram grandes. Ainda assim, aprendíamos muitas coisas. O mínimo e o máximo divisor comum, a capital da Suécia, os afluentes do Amazonas, a raiz quadrada de 49, o ventrículo direito e o esquerdo, o Tratado de Tordesilhas, a Invasão Holandesa, o sistema métrico decimal e o seis vezes sete, quarenta e dois. Visto assim, poder-se-ia afirmar que minha formação escolar, no Consolata, nada teve de excepcional. Estar-se-ia, no entanto, praticando um grande equívoco. Pior. Uma grande injustiça. O Consolata ensinou-me, em verdade, muito mais. Ensinou-me, que educação constitui um processo permanente. Um ideal a ser perseguido. Sempre. Até o fim dos tempos. Ensinou-me a pensar. A ter autonomia moral. A ser uma pessoa participativa e crítica. Abriu-me as janelas e, a partir daí, pude ver os campos e os rios, as árvores e as flores, as idéias e as pessoas. Só assim pude superar a condição de menina pobre, tímida e solitária para, ultrapassando, também, as barreiras de um anunciado futuro medíocre, tornar-me uma profissional livre e independente. Uma profissional que ama o que faz e que, ainda, ganha para fazê-lo. É, pois, com esse orgulho brioso, que ostento o emblema do então Externado Consolata e que, a ele, rendo minhas homenagens e meu eterno agradecimento.